Minha Sincera Opinião Sobre a Desocupação de Pinheirinho

27 jan

A menos que você passou a última semana meditando com monges tibetanos isolados, você ouviu falar (mesmo que vagamente) sobre a desocupação de Pinheirinho, área de São José dos Campos invadida por famílias almejando um lar. Acontece que o terreno tinha dono, e rolou uma imensa briga para desocupar a área. Mas afinal, quem estava certo?

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Terreno do Pinheirinho, São José Dos Campos, São Paulo, Brasil. Essa área carente da cidade foi palco de muita discussão durante a semana. A Justiça determinou a reintegração de posse da área, os moradores, revoltados com a decisão, decidiram revidar.Ouve um quebra pau danado entre moradores e policiais. Mais que raios aconteceu por lá?! Ok, vamos por partes.

A área do Pinheirinho é gigantesca: 1,3 milhões de metros quadrados, ou 3 vezes a área do Vaticano, menor país do mundo. A ocupação dessa área começou há mais ou menos 8 anos atrás, e até a reintegração de posse, mais de 6 MIL pessoas moravam no local. Significa que a comunidade crescia a espantosa marca de cerca de 750 novos moradores por ano. 6 mil pessoas é mais do que milhares de cidades interioranas do Brasil possuem. Mais tudo já começou errado. Imagino eu que certo dia, um desabrigado viu aquele terreno enorme sem ninguém, e pensou “Eita nóis, vou fazer uma casinha aqui e fica de boa no meu cantinho, com esse terrenão todo aí, nem vão me notar”. Aconteceu que a notícia de terreno grátis correu a cidade (e muito além dela), e logo mais e mais pessoas chegaram para morar lá. Ora meu amigo, terreno de graça para construir e morar, quem não quer ?

Ao contrário do que muitos imaginavam, a terra possuía sim um dono. Ela pertence ao espólio de uma das empresas de Naj Nahas (mais precisamente a empresa Selecta), conhecido por se meter em rolos como subornos, compra de informações privilegiadas, e fraudes financeiras. Acontece que todo o imenso terreno estava em uma execução judicial, que rolava a anos na justiça. Toda aquela terra ia ser leiloada, e o dinheiro com a venda do terreno ia para trabalhadores que foram lesados pelo Sr. Nahas, bem como credores que levaram um belo de um calote. Mais quando foram ver o terreno, a pequena quantia de 6 mil pessoas havia invadido a terra, e tomado ela para sí.

A juíza que cuidava do caso ordenou a desocupação da área, e TODOS os invasores da área foram avisados no mês de JUNHO de 2011 de que deveriam deixar imediatamente a área antes da reintegração de posse, que veio a ocorrer em Janeiro de 2012. Mais os invasores pensaram “O que? Deixar assim o terreno que com tanto suor do meu trabalho invadi e construí minha casa? JAMAIS! Vou é enfrentar esses polícia aí!”, e assim foi que aconteceu todo o reboliço.

A polícia chegou para cumprir o mandato, e os moradores, crentes de que o governo ia passar a mão na cabeça deles e dizer “pega o terreno que é de vocês”, enfrentou a polícia. Um adento aqui: quem reclama que houve “excesso de força da polícia”, com toda certeza não viu as fotos dos moradores armados com foices, escudos improvisados e afins. Se houve uma manifestação violenta da polícia, foi em resposta ao que a população fez. Ou será que se a população tivesse cumprido a ordem judicial, tudo isso teria acontecido ?

Nesse caso, eu estou totalmente a favor da polícia e da Justiça. O terreno tinha dono, estava em processo de execução que ia pagar os direitos trabalhistas de muita gente que trabalhou muito e não recebeu nada, além de empresas sérias que tomaram calote, e a população o invadiu. Eram pessoas carentes? Sim, a maioria. Mais eu que tenho casa, sei o quanto tive que trabalhar duro e pagar uma fortuna em um terreno para ter onde morar. O mesmo deve pensar todo o pessoal de Ribeirão Preto. Claro que todos querem ter onde morar, mais eu não concordo com quem tenta fazer isso de modos ilícitos (ou INVADIR um terreno é um modo legal de morar?). Terreno de graça, eu também quero.

Cansei de ver reportagens onde estampam que os moradores não tiveram tempo de retirar seus pertences. Foram avisados da desocupação faziam 6 meses, eu realmente não nasci ontem para pensar que eles não sabiam disso. Como diz o ditado: notícia ruim corre rápido. Pensaram que não ia dar em nada, e chegou a polícia e mandou todo mundo sair. Pipocam também notícias de pessoas agredidas pela polícia. Com toda certeza eram os gladiadores do terceiro milênio que ilustram a foto no início deste post. Nesse caso, a polícia apenas revidou.

Muitos não tem pra onde ir, e isso é muito triste sim. Mas podiam logo imaginar que isso iria acontecer. Afinal, se aquele terreno fosse meu, eu mandava retirar todo mundo de cima também, ou você seria hipócrita de dizer que ia doar o terreno para o pessoal de baixa renda? Por favor….

Ouvi também gente dizer que a população estava certa. Não acho. Invadiram uma área e a tomaram para sí. Isso é uma coisa que eu jamais irei compreender como uma maneira legítima de conseguir onde morar. Quando a revolta, quem morava lá defendeu os seus interesses, nada mais do que isso. Queria mesmo que todo o Brasil tivesse essa força para protestar contra tanta coisa errada que vemos todo dia por aí.

Assim encerro, e digo ainda: que a reintegração de posse de Pinheirinho sirva de exemplo para outras áreas invadidas. Se querem ter onde morar, trabalhem por isso, e não fiquem vivendo de ajudinha (ou esmolas) do governo. Aprendam a se virar como pessoas de bem e dentro da lei, que nada de ruim vai lhes acontecer nunca.

3 Respostas to “Minha Sincera Opinião Sobre a Desocupação de Pinheirinho”

  1. Netto 27 de janeiro de 2012 às 12:41 AM #

    Como já conversei com alguns amigos meus eu creio o seguinte, como ser humano, acho triste essa desocupação, independente da sua “ilegal” de seus moradores. Acredito que eles só estão lá por necessidade sim, e se mantiveram porque a prefeitura não teve PEITO o suficiente para resolver essa situação quando ela teve inicio, ou seja deixou a situação se arrastar até um ponto que não há mais volta.

    O problema de uma possível regularização à MEU ver é o seguinte: Esse terreno teoricamente é para pagamento de dividas do tio Naji. Ao “doar” este terreno que foi tomado, estaríamos gerando uma situação que poderia ser utilizada em outras ocupações ilegais pelo Brasil a fora. Isso sim me preocupa. Obviamente que a Terra que não é utilizada deve sim ser passada aos que necessitam, porém esse deve ser um processo legal realizado pelo governo (sei que vocês estão lendo e pensando, “Senta lá Claudia, os senadores, deputados, políticos em gerais são os maiores detentores de Terra do Brasil”). Porém mesmo sabendo disso acho que a pressão deveria para mudarmos essa situação não apenas apoiar os movimentos de ocupação .

    E mais uma vez por uma sucessão de erros da esfera pública (veja que eu não sou filiado a partido nenhum e acredito que isso é uma situação que é independente de partidos políticos) interfere na vida dos cidadãos comuns que não tem suas necessidades supridas.

    A questão que envolve O Pinheiro é o fato de que mexe com o lado mais emocional das pessoas! E obviamente que isso é algo que machuca. Porém EU NÃO CREIO EM SOCIALISMO acredito nele tanto quanto no papai Noel.

    Tive recentemente uma discussão bastante acalorada em outro blog por um esquerdista que queria me convencer que eu creio no mito do capitalismo e faço uma “leitura superficial de Nietzsche”. Pois bem com relação a isso acho que posso dizer uma coisa, Ou você se esforça para ser alguém nessa vida E dane-se suas limitações. Ou senta e chora esperando uma solução mistica vir do Céu. Quem sabe na realidade você não esteja rezando para o deus errado, tente rezar para Marx, talvez dê mais certo.

    Bem desculpe escrever tanto, e espero não ter ofendido ninguém. Talvez essa seja uma situação que não aja o certo ou o errado, apenas devemos decidir que tipo de cidade estamos nos tornando, para o bem ou para o mal. E eu por mais tolo que isso seja creio sim na Justiça, pois se não crer nisso não creio na própria sociedade.

    • SPOOK 27 de janeiro de 2012 às 12:53 AM #

      Também sou contra este tipo de socialismo, pois ao meu ver, isso pune o esforço individual de uma pessoa. Pra que eu vou me esforçar para ter alguma coisa se o governo pode vir e me dar sem esforço algum?
      Creio que sim: terras inutilizadas e improdutivas devem ser LEGALMENTE desapropriadas para a população. Porém, este NÃO ERA o caso de Pinheirinho.

      • Netto 27 de janeiro de 2012 às 12:57 AM #

        Com certeza não era!

        Além disso foi uma situação que se arrastou pois estava comodo para os moradores e para a prefeitura e no fim somos nós cidadãos comuns de São José dos campos que fomos prejudicados. Seja pelos ônibus que não podiam passar perto dos bairros vizinho ao pinheiro seja os gato que a Prefeitura terá para alocar essas pessoas.

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