O Rock No Brasil. Parte 1: O Ontem

17 fev

Obs..: Como o assunto é extenso, este post foi dividido em 2 partes: “O Ontem” e “O Hoje”. Esta é a parte 1. Este post está publicado aqui no No Sense, e também no nosso parceiro Eae, como faz?.

A parte 2 pode ser lida AQUI.

Obs.2: Primeiro texto escrito em parceria. Fuck yeah!

love90s

Em conversa informal no MSN (aliás, existe conversa formal no MSN?), falando com meu brother Pedro, parceiro e proprietário do blog  Eae, como faz?, inevitavelmente chegamos sobre um assunto que ambos gostamos e não foi mulheres gostosas: música. Mais especificamente, o amado Rock.  Especificando mais ainda, o rock no Brasil. E veio aquela pergunta fulcral: o rock morreu no Brasil ? O que aconteceu com a geração Legião Urbana, Planet Hemp, Charlie Brown Jr. (nos bons tempos), Raimundos e Mamonas Assassinas ? E até quando esses modismos vão dominar a música?

Lembro de meus tempos de menino-moço, onde jogava Super Nintendo com meus amigos, ouvindo um bom e velho Raimundos, Planet Hemp, e Mamonas Assassinas (falecidos poucos anos antes). Aquilo era o rock no Brasil, na época as bandas tops, as que mais geravam mídia, e as que mais faziam shows e arrebatavam multidões. A juventude desse tempo realmente foi privilegiada.

Um dos maiores expoentes da música brasileira em todos os tempos teve seu auge nessa época: o Legião Urbana. Com suas letras que nos faziam pensar, músicas que contavam estórias (tanto é que Faroeste Caboclo vai virar filme), enfim, música de qualidade mesmo. Tanto a música, quanto principalmente as letras. Renato Russo era um músico/poeta com talento raro no MUNDO, um dos melhores de todos os tempos. Feliz de quem pegou essa época.

O Planet Hemp, com suas músicas que falavam de violência, drogas e críticas contra o sistema também causou um enorme impacto sobre os jovens da época. Surgiu em 93, mas teve a fama em 95, com o álbum Usuário. Acho que todos que tinha entre 14~15 anos ali pelos anos 2000 já ouviram Mantenha o Respeito ao menos uma vez na vida, e grande parte sabe a letra de cor (como eu).

Charlie Brown Jr. surgiu nos idos de 92, e atingiu o sucesso com o álbum Transpiração Contínua Prolongada, que foi um marco na minha juventude. Todas as 16 músicas daquele álbum são excelentes, e boto o Charlie Brown na lista das grande bandas do Brasil. Hoje, infelizmente, estão mais voltados para o público pop, com letras menos críticas e irreverentes, falando mais agora de problemas pessoais, amor e superação. Mais esse primeiro álbum, repito, foi um MITO.

Raimundos… ah Raimundos… essa dispensa comentários. Uma das bandas mais debochadas, sarcásticas e “boca suja” que já tivemos a honra de conhecer. Inúmeros clássicos, uma atitude de ligar o foda-se e ser feliz. Banda que ouço até hoje, e uma das melhores que já existiram no Brasil.

E quem não se lembra do turbilhão Mamonas Assassinas ? Em apenas 7 meses de hiper-sucesso se eternizaram na música nacional. Suas letras irreverentes, debochadas e até mesmo nosense, fizeram grande sucesso. A animação deles era o que tinham de melhor, impossível não esboçar ao menos um leve sorriso ao ver um clip ou um vídeo deles. Suas músicas são presença certa em formaturas nos dias de hoje. E até hoje eu sei de cor todas as músicas do álbum deles.

O que essas bandas têm em comum ? Simples: (com o perdão de outras grandes bandas nacionais) foram os melhores que já surgiram em termos de rock no Brasil. E surgiram todos em uma mesma época! Feliz da geração anos 90 que pode desfrutar desse maravilhoso universo musical. Eram outros tempos, com toda certeza, mais o que me chamava a atenção olhando para trás hoje, é que a atitude que essas bandas passavam para o pessoal, era outra. Planet Hemp fazendo os jovens se engajarem em lutas políticas e pelos seus ideais, Charlie Brown com leves críticas sociais, e suas letras politicamente incorretas, Raimundos era o ápice do politicamente incorreto, ouvir um cd deles perto de seus pais era certeza de castigo (sim, experiência própria), Legião Urbana nos brindavam com suas reflexões, e vários outros assuntos e estórias que nos faziam viajar. Mamonas era rock e diversão !

Outro ponto importante, era que a indústria da música não tinha descoberto ainda o público pré-adolescente (o hoje chama público teen). As músicas eram voltadas para jovens entre 16 e 25 anos, para fazê-los pensar e se divertir. Não queriam transformar jovens em crianças, nem crianças em adultos. Tudo tinha sua razão, o seu motivo.

A crítica social fazia parte do contexto das músicas, muito era questionado (e no caso do Planet Hemp, cesurado mesmo), e fazia-se pensar. Mamonas Assassinas era a mais pura diversão, donos de um carisma ímpar, divertiam dos 8 aos 80, uma das bandas mais queridas da história. Não precisavam forçar a barra, parecer algo que não eram. E isso marcou as bandas da época também: cada um expunha seus idéias, suas experiências de vida. Renato Russo era um cara introspectivo, e suas músicas refletiam seus sentimentos. Marcelo D2 e B. Negão viviam a realidade das ruas, o universo das drogas e da opressão policial. Chorão era um cara dos mais doidos, que só queria se divertir e criticar a todo o sistema. Os Raimundos tinham uma Kombi e viviam dentro dela fazendo aquela curtição. Os Mamonas foram formados para um único propósito: a diversão.

A geração 90 cresceu ouvindo estes mitos, moldando assim suas idéias e ideais. Quem hoje tem 23, 25 anos, sabe do orgulho que dá olhar para trás, e relembrar de todas estas grandes bandas. O rock estava em alta, e surgiu uma grande banda atrás da outra. Lembro de uma vez que o festival Planeta Atlântida, que hoje tem Restart como “head singer”, trouxe para um mesmo festival Raimundos, Planet Hemp e Charlie Brown Jr., foi um sucesso estrondoso.

Sou um cara saudoso. Aliás sempre fui. E como diz um amigo meu, “devido a qualidade das novas coisas, prefiro relembrar as antigas”. Sair na tua vestindo a camisa da sua banda, era motivo de orgulho. Você não precisava se vestir igual ao Tiririca para afirmar de que banda gostava. Aliás, nem gostar de rock era obrigação. Você não precisa se vestir igual a todo mundo para pertencer a turma. Na turma que eu andava, tinha garotas que eram fãs de Backstreet Boys, uns amigos meus que gostavam de música gaúcha, eu quer era bem do rock/metal, e todos nos davam muitíssimo bem. Não tinha aquela pressão “meeeeo, bota uma roupa colorida e faz uma chapinha pra fica na moda biiii”. Atitude sim, lavagem cerebral não.

Atitude… hoje essa palavra (relacionada a música), parece que trata do jeito como nos vestimos. “Cara, atitude é tu mete uma calça verde limão, uma camisa azul piscina, chapinha no cabelo e arrasa!”. Nops, tenho outro conceito. Atitude era tu questionar o governo, não aceitar tudo de goela abaixo, atitude era questionar as leis, questionar a hipocrisia na sociedade, questionar tudo. Hoje parece que isso se perder. Não basta apenas o seu ídolo acenar para você, ou você ter o privilégio de vê-lo ao vivo. Ele tem que dizer que te ama, que não vive sem você. Já parou pra pensar o quão ridículo isso é? Você amar uma pessoa que nem conhece? Ter carinho sim, mais amor? Pára né.

Aliás, não me lembro de uma supervalorização dos sentimentos. Talvez porque a música era voltada mesmo para um público mais maduro. Pegue você mesmo aos seus 13 anos de idade. Quem nunca teve um “amor infinito” por essa idade? Coisas de pré-adolescentes… que na época eram apenas isso: pré-adolescentes. Não eram tratados como adultos isentos de responsabilidade e que tudo podem.

Enfim, vou parar de me alongar, até mesmo porque esse é mais um texto enorme. Mais fico feliz ainda de dizer, que tive o prazer de presenciar a melhor geração do rock brasileiro de todos os tempos, onde atitude não eram calças coloridas, e lutar pelos seus ideais não se resumia a xingar muito no twitter.

3 Respostas to “O Rock No Brasil. Parte 1: O Ontem”

  1. Ivo 18 de fevereiro de 2011 às 10:02 AM #

    Cara, muito bom, e mt verdade!

  2. ivo 18 de fevereiro de 2011 às 11:33 AM #

    Poww axo que esqueceram dos engenheiros do hawaii, peguei uma epoca mt boa deles….

    … aquele tempo isso era rock and roll, hoje em dia eh restar, cine e caps lock, que triste isso, o que o meu filho vai ouvir sera um dia?!?!?!?

    isso eh triste!!!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Musica Brasileira – Parte 2 « eae como faz? - 17 de fevereiro de 2011

    […] Parte 2, recomendo que você veja a parte 1 antes de ler essa! (Clique aqui pra ver) […]

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