Pra ser Cantor Hoje, Precisa de Talento ?

27 ago

Aviso: esse post contém alguns vídeos. Coloque-os pra carregar agora, e até você chegar neles, vai poder ver sem problemas. Vai te ajudar muito a compreender melhor o texto🙂

Como algumas pessoas sabem, ouvir a rádio é coisa que definitivamente não faz parte da minha vida. Ouvir músicas aleatoriamente, sem que eu saiba quem é o cantor, é uma idéia que não me agrada. Ainda mais ultimamente, onde o meu gênero musical favorito (rock) anda tão decadente, com bandas de “happy-rock” e afins (infelizmente) dominando o mercado.

Dando uma olhada nessa nova onda dos coloridos, pude notar certa semelhança entre eles: a ausência total de talento dos vocalistas. Isso mesmo. Você que tem 13 anos, e gosta dessas bandas, tem que concordar: os caras podem fazer sucesso, fazer trocentos show por mês, mais mesmo assim, não cantam nada. É a mesma coisa que você ouvir o primeiro álbum do CPM22. Tem muitas músicas boas, mais o vocal é sofrível. E eis que a era digital nos apresenta o que é a salvação para pseudo-cantores, com uma mídia gigante por trás deles (ui), mais ausência total de talento: o tal do Auto-Tunes. Má que porra é essa? É um genial programa que altera, simula, e adiciona efeitos a voz das pessoas. Pegue qualquer um cantando, e você pode mudar maravilhosamente sua voz. Em outras palavras, dá pra fazer o cara do Restart cantar quase como um Bruce Dickinson.

Você ainda tem dúvida do poder desse programa ? Pois então deixa eu te mostrar essa entrevista:

A primeira vista você apenas riu muito do negão macho irmão da moça que foi atacada pelo estuprador. Mais veja o que um grupo de desocupados (mais do que eu e você junto!) fez com o vídeo: UM REMIX (que ficou famoso como “Bed Intruder Song”) ! Ouça ele:

Genial não ? Pois saiba que esse música alcançou o primeiro posto de música mais vendida no iTunes (maior loja de música online do mundo) na categoria Rythm & Blues, e a terceira mais vendida do site. Isso mesmo: a terceira música mais vendida! E isso era apenas uma entrevista com ‘remix’.

Agora vocês imaginem o que é possível fazer apenas para “corrigir” a voz de um “cantor” em estúdio, com técnicos especializados nisso, produtores, e toda a parafernália profissional de um estúdio. Eis que, sim, é possível transformar qualquer um, eu, você, seu pai, aquele seu amigo fanho, qualquer um, em cantor profissional.

Vamos a um outro exemplo, agora na música propriamente dita. Eu sempre gostei muito de ver as músicas que eu gosto sendo tocadas ao vivo, pra poder ver a performance da banda, como eles se saem em uma situação pra valer. Vou pegar um exemplo que realmente me deixou pensativo quando ouvi a primeira vez: a música Bring Me To Life, do Evanescence. Vejam que bela performance da cantora no clip da música:

E agora, a mesma música, mais ao vivo:

Trágico não? Embora ela ainda cante bem e tenha talento, a discrepância entra a versão ao vivo e a de estúdio é gigantesca. E apenas peguei esse exemplo aí pra ilustrar. Quantas cantoras pop de sucesso mundial que usam playback em seus shows, simplesmente por não terem as mínimas condições de reproduzir naturalmente os sons obtidos no estúdio?

Cara, é por isso que eu gosto muito do heavy metal: o que é no estúdio, é ao vivo. Me lembro de quando fui no show do Iron Maiden em Curitiba em 2008. A acústica de lá era tão boa, e os caras tão bons ao vivo, que o som era perfeito. A voz do Bruce era a mesma de que se ouvir um cd. Os mesmos timbres sensacionais que estavam gravados em um cd, estavam sendo reproduzidos ali, na frente de milhares de pessoas, por uma pessoa com um talento incrível.

Obviamente que talento pra cantar não significa necessariamente sucesso. Vejamos o exemplo do punk: por mais que você seja fã do Sex Pistols, dizer que o cara canta muito é absurdo. O que vale alí e a atitude, e não apenas a música em sí. Mais quando se muda a voz de uma pessoa pra ela parecer que cante melhor, você está querendo mascarar alguma coisa, tentando fazer aquela pessoa melhor do que realmente é, tentando fazer com que ela demonstre um talento que na verdade não possui, e isso sim, é discutível. O que seriam de seus milhares de fãs, se as grandes divas do pop, e bandas coloridas chegassem e abrissem o jogo: nós não temos talento musical algum, isso é apenas efeito de computador. Um desastre comercial, certo? É por isso que nunca, jamais, veremos isso acontecer.

Resumindo: a música está nisso aí hoje em dia, pois, TALENTO PRA QUE ? Tudo o que você precisa é um visual esquisito (vide bandas coloridas, emos, Lady Gaga…), uma grande gravadora investindo MUITA GRANA em mídia/propaganda/divulgação, um público alvo bem definido, e um bom estúdio/produtores, e pronto: sucesso !

2 Respostas to “Pra ser Cantor Hoje, Precisa de Talento ?”

  1. a. 27 de agosto de 2010 às 9:27 PM #

    Concordo plenamente e acho que os artistas REALMENTE talentosos deveriam ter mais chances e as pessoas deveriam aprender a ver que nem tudo o que parece é.

  2. Roberto 16 de setembro de 2010 às 6:51 PM #

    Olá
    Essa questão do uso de equipamentos para correção de erros no vocal é muito interessante.
    Eu acredito que qualquer tecnologia que ajude o artísta a fazer um trabalho mais bonito é válida. Mas como em tudo, sempre há quem exagere e use as facilidades como muleta pra falta de treino ou preguiça de se aperfeiçoar. Cantar bem é só uma questão de muito treino.

    Outra coisa, os softwares de correção de afinação da voz não fazem milagres. Pro hip hop pode funcionar mas em outro estilos vai soar artificial e deslocado.

    Tenho um bom ouvido e costumo identificar quando essa correção força a barra. Usei alguma correção nas músicas que gravei mas apenas quando não havia outra saída ou fazia parte do conceito.

    Mas você não pode ser muito rígido com a diferença entre estúdio/palco. No estúdio as coisas costumam ser gravadas e regravadas até que se alcance a melhor performance. Ao vivo nem sempre o músico está nas melhores condições, por mais que se ensaie. A acústica é muito caprichosa e as vezes o retorno de som do vocalista dificulta um bom desempenho. O legal do ao vivo é a emoção que rola entre a banda e seu público, que nessas horas costuma relevar qualquer falha.

    Mas que é verdade que o palco brasileiro está tomado por música pobre, lá isso é.

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