A menos que você passou a última semana meditando com monges tibetanos isolados, você ouviu falar (mesmo que vagamente) sobre a desocupação de Pinheirinho, área de São José dos Campos invadida por famílias almejando um lar. Acontece que o terreno tinha dono, e rolou uma imensa briga para desocupar a área. Mas afinal, quem estava certo?
Terreno do Pinheirinho, São José Dos Campos, São Paulo, Brasil. Essa área carente da cidade foi palco de muita discussão durante a semana. A Justiça determinou a reintegração de posse da área, os moradores, revoltados com a decisão, decidiram revidar.Ouve um quebra pau danado entre moradores e policiais. Mais que raios aconteceu por lá?! Ok, vamos por partes.
A área do Pinheirinho é gigantesca: 1,3 milhões de metros quadrados, ou 3 vezes a área do Vaticano, menor país do mundo. A ocupação dessa área começou há mais ou menos 8 anos atrás, e até a reintegração de posse, mais de 6 MIL pessoas moravam no local. Significa que a comunidade crescia a espantosa marca de cerca de 750 novos moradores por ano. 6 mil pessoas é mais do que milhares de cidades interioranas do Brasil possuem. Mais tudo já começou errado. Imagino eu que certo dia, um desabrigado viu aquele terreno enorme sem ninguém, e pensou “Eita nóis, vou fazer uma casinha aqui e fica de boa no meu cantinho, com esse terrenão todo aí, nem vão me notar”. Aconteceu que a notícia de terreno grátis correu a cidade (e muito além dela), e logo mais e mais pessoas chegaram para morar lá. Ora meu amigo, terreno de graça para construir e morar, quem não quer ?
Ao contrário do que muitos imaginavam, a terra possuía sim um dono. Ela pertence ao espólio de uma das empresas de Naj Nahas (mais precisamente a empresa Selecta), conhecido por se meter em rolos como subornos, compra de informações privilegiadas, e fraudes financeiras. Acontece que todo o imenso terreno estava em uma execução judicial, que rolava a anos na justiça. Toda aquela terra ia ser leiloada, e o dinheiro com a venda do terreno ia para trabalhadores que foram lesados pelo Sr. Nahas, bem como credores que levaram um belo de um calote. Mais quando foram ver o terreno, a pequena quantia de 6 mil pessoas havia invadido a terra, e tomado ela para sí.
A juíza que cuidava do caso ordenou a desocupação da área, e TODOS os invasores da área foram avisados no mês de JUNHO de 2011 de que deveriam deixar imediatamente a área antes da reintegração de posse, que veio a ocorrer em Janeiro de 2012. Mais os invasores pensaram “O que? Deixar assim o terreno que com tanto suor do meu trabalho invadi e construí minha casa? JAMAIS! Vou é enfrentar esses polícia aí!”, e assim foi que aconteceu todo o reboliço.
A polícia chegou para cumprir o mandato, e os moradores, crentes de que o governo ia passar a mão na cabeça deles e dizer “pega o terreno que é de vocês”, enfrentou a polícia. Um adento aqui: quem reclama que houve “excesso de força da polícia”, com toda certeza não viu as fotos dos moradores armados com foices, escudos improvisados e afins. Se houve uma manifestação violenta da polícia, foi em resposta ao que a população fez. Ou será que se a população tivesse cumprido a ordem judicial, tudo isso teria acontecido ?
Nesse caso, eu estou totalmente a favor da polícia e da Justiça. O terreno tinha dono, estava em processo de execução que ia pagar os direitos trabalhistas de muita gente que trabalhou muito e não recebeu nada, além de empresas sérias que tomaram calote, e a população o invadiu. Eram pessoas carentes? Sim, a maioria. Mais eu que tenho casa, sei o quanto tive que trabalhar duro e pagar uma fortuna em um terreno para ter onde morar. O mesmo deve pensar todo o pessoal de Ribeirão Preto. Claro que todos querem ter onde morar, mais eu não concordo com quem tenta fazer isso de modos ilícitos (ou INVADIR um terreno é um modo legal de morar?). Terreno de graça, eu também quero.
Cansei de ver reportagens onde estampam que os moradores não tiveram tempo de retirar seus pertences. Foram avisados da desocupação faziam 6 meses, eu realmente não nasci ontem para pensar que eles não sabiam disso. Como diz o ditado: notícia ruim corre rápido. Pensaram que não ia dar em nada, e chegou a polícia e mandou todo mundo sair. Pipocam também notícias de pessoas agredidas pela polícia. Com toda certeza eram os gladiadores do terceiro milênio que ilustram a foto no início deste post. Nesse caso, a polícia apenas revidou.
Muitos não tem pra onde ir, e isso é muito triste sim. Mas podiam logo imaginar que isso iria acontecer. Afinal, se aquele terreno fosse meu, eu mandava retirar todo mundo de cima também, ou você seria hipócrita de dizer que ia doar o terreno para o pessoal de baixa renda? Por favor….
Ouvi também gente dizer que a população estava certa. Não acho. Invadiram uma área e a tomaram para sí. Isso é uma coisa que eu jamais irei compreender como uma maneira legítima de conseguir onde morar. Quando a revolta, quem morava lá defendeu os seus interesses, nada mais do que isso. Queria mesmo que todo o Brasil tivesse essa força para protestar contra tanta coisa errada que vemos todo dia por aí.
Assim encerro, e digo ainda: que a reintegração de posse de Pinheirinho sirva de exemplo para outras áreas invadidas. Se querem ter onde morar, trabalhem por isso, e não fiquem vivendo de ajudinha (ou esmolas) do governo. Aprendam a se virar como pessoas de bem e dentro da lei, que nada de ruim vai lhes acontecer nunca.




